Depende do coração
Que nosso coração-mente, nosso
kokoro, seja sensível e terno às outras pessoas e seres, pois eles são apenas
um reflexo do nosso próprio ser
Texto: Monja Coen
Todos os meses, o
mestre Yogo Rôshi vinha ao Mosteiro Feminino de Nagoia para liderar nosso
retiro. Nós, monjas em treinamento, nos estressávamos nas preparações e nos
irritávamos umas com as outras.
Entretanto, no dia de sua chegada, como num
passe de mágica, ficávamos gentis. Mesmo antes de ele chegar. Com sua presença,
então, nos tornávamos seres celestiais. Yogo Rôshi falava inglês, e fui
perguntar a ele o porquê dessa situação.
Eu também gostaria de
ter essa capacidade de trazer harmonia só de pensarem em mim. “Tudo depende do
seu coração”, me respondeu.
Quando cheguei ao
mosteiro, também fora visitar a antiga abadessa, que estava no hospital. Ela
pedira que eu levasse um poema, mostrando minha compreensão dos ensinamentos.
Fui com uma colega japonesa que falava inglês. Ela traduziu para a idosa
abadessa.
Sem aprovar ou desaprovar, a mestra me disse apenas: “A prática
dependerá do seu coração”.
Meu coração. Em japonês, a palavra é kokoro ou shin. Kokoro é o âmago do ser. Toda a nossa vida, como tratamos os outros e somos tratados, depende de nosso kokoro?
Há um praticante que reclama muito em minha comunidade. Se vai a uma
farmácia, acaba brigando com o farmacêutico. No trânsito, está sempre envolvido
em conflitos.