Cuide do seu coração - Hábitos saudáveis
Se pudesse dar um único conselho para reduzir o risco de um evento fatal, qual seria?
Prevenção é a palavra-chave. Meu conselho é que as pessoas devam sempre procurar cuidar, ter hábitos saudáveis, como alimentação adequada, fazer atividade física regular, pelo menos 150 minutos por semana, como preconizado por todas as sociedades e diretrizes, cuidar do estresse e monitorar os fatores de risco.
Em entrevista, a médica Olga Souza explica o que é um infarto fulminante, as diferenças nos sintomas entre homens e mulheres e a importância de realizar o check up
A pressão arterial, o colesterol, a glicose, evitar o tabagismo. Controlar os fatores de risco é a forma de prevenir esse processo e proteger o coração e o cérebro.
Prevenção é a palavra-chave', diz a cardiologista Olga Souza sobre infarto, problema cada vez mais comum entre os jovens
Dra Olga Souza, Diretora Nacional de Cardiologia da Rede D'Or — Foto: Roberto Moreyra / Agência O Globo
A morte
do diretor do Grupo Rodobens, Giuliano Verdi, de 51 anos, vítima de um infarto
no dia 2 de janeiro, em Trancoso (BA), retrata uma dura realidade: as doenças
cardiovasculares seguem entre as principais causas de morte no Brasil e no
mundo. Segundo estimativas da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), cerca
de 400 mil brasileiros morrem todos os anos em decorrência de problemas
cardíacos.
Em entrevista ao GLOBO, Olga explica o que é um infarto fulminante, as principais causas e o aumento da condição entre jovens, as diferenças nos sintomas entre homens e mulheres e a importância de realizar o check up cardiológico regularmente.
O que é exatamente um infarto fulminante?
Por que alguns infartos evoluem de forma tão rápida e fatal?
O infarto fulminante ocorre quando há isquemia súbita e intensa (obstrução da artéria coronária), levando à morte celular rápida e perda significativa de função do músculo cardíaco. A apresentação clínica pode incluir dor torácica intensa, instabilidade hemodinâmica, insuficiência cardíaca aguda, choque e parada cardíaca.
A evolução do infarto fulminante é frequentemente desfavorável, com alto risco de complicações como choque cardiogênico, insuficiência cardíaca aguda e morte súbita, especialmente se o tratamento não for realizado rapidamente.
À medida que essas placas vão crescendo, elas podem obstruir a passagem de sangue nas artérias coronárias, que são as responsáveis por fornecer oxigênio e glicose ao músculo cardíaco. Então, essas placas podem aumentar de tamanho e as artérias ficarem mais rígidas, mais estreitas, comprometendo o fluxo sanguíneo.
Pode a parede da artéria sofrer um dano, a placa se romper e formar um coágulo, que obstrui a passagem do sangue e isso causar um infarto.
Tem aumentado o infarto em pessoas jovens, abaixo dessa faixa etária?
O infarto é mais grave em jovens pois quando ocorre a obstrução da artéria coronária, o dano ao músculo cardíaco é mais extenso pela inexistência de circulação colateral favorecendo o risco de arritmias e morte súbita. Outro problema é que o infarto em jovens costuma ser inesperado.
Por não se considerarem em risco, muitos demoram a procurar atendimento, o que aumenta a gravidade das complicações. Os sintomas são semelhantes, mas podem também ser atípicos como: dor na mandíbula, nas costas ou um desconforto atípico. Qualquer sintoma deve ser valorizado, não minimize os seus sintomas e não retarde a investigação ou a ida ao hospital.
E também exames de imagem e eletrocardiograma. Esses exames de imagem podem ser solicitados de acordo com a idade do paciente e com os fatores de risco que ele já possui.
Pode ser um ecocardiograma, um doppler das artérias carótidas, uma angiotomografia de coronária, um teste ergométrico ou uma cintilografia. Esses exames são direcionados pelo médico de acordo com o perfil daquele paciente, de acordo com o que ele possui de fatores de risco.
Então, se a história familiar de um pai, irmão, tio, enfim, um parente próximo de primeiro grau, que já teve um infarto, já teve uma morte súbita ou foi submetido a um procedimento de angioplastia ou uma cirurgia cardíaca, esse filho, esse irmão ou esse parente, já tem um risco genético maior. Os outros fatores nós agregamos ao longo da nossa vida. E são fatores de suma importância, que contribuem para o processo da aterosclerose.
Os sintomas que a hipertensão arterial pode causar são uma dor de cabeça, um cansaço, um mal-estar, mas pode não apresentar sintoma nenhum. Por isso, a Sociedade Brasileira de Cardiologia recomenda que todas as pessoas acima de 18 anos devam ter, pelo menos uma vez, aferida sua pressão arterial.
Crianças também podem ser portadoras de hipertensão arterial e devem ter esse acompanhamento. O segundo fator de risco, que também contribui muito para esse processo de aterosclerose, é o diabetes. O diabetes leva a um estado inflamatório maior no organismo e, junto com a hipertensão arterial, favorece uma lesão, que chamamos de um dano do endotélio da parede das artérias, que pode ser o processo inicial da aterosclerose.
Então, a hipertensão, com os vasos mais rígidos, e o diabetes com o processo inflamatório, são os gatilhos iniciais para o processo de aterosclerose. Outro fator é o colesterol alto. Ele contribui para a formação dessas placas que vão levar à obstrução das artérias.
Quando eu tenho esses fatores de risco, como a hipertensão, o diabetes e o tabagismo, por exemplo, que causam um dano na parede dos vasos, é mais fácil o colesterol se depositar naquele dano e começar o processo de aterosclerose, da formação da placa. O sedentarismo não só aumenta o risco das doenças cardíacas, como também favorece a obesidade, e a obesidade vai levar secundariamente ao diabetes e à hipertensão arterial. As pessoas obesas têm maior risco de terem essas doenças.
Alimentação inadequada, com excesso de sal, de alimentos ultraprocessados, excesso de açúcar, de gorduras saturadas, vai fazer com que seu nível de colesterol esteja mais elevado e que tenha maior o risco de diabetes por causa da glicemia elevada. É todo um conjunto de hábitos inadequados que vai levar ao processo de aterosclerose. Por fim, o estresse, que entra como o processo final de todos esses fatores que temos que controlar.
Então, o check up vai tentar identificar se você já tem algum desses fatores de risco e controlá-los para que eles não evolua e não causem um problema maior. Além de detectar doenças que, por ventura, estejam na fase inicial e, com isso, possam ser tratadas e orientar mudanças de hábitos antes que surjam problemas mais sérios.
Até a menopausa, nós mulheres temos uma proteção pelos hormônios. Após a menopausa, o risco de infarto é semelhante entre homens e mulheres.
As mulheres além dos fatores de riscos tradicionais como hipertensão arterial, colesterol elevado, diabetes, sedentarismo, obesidade, apresentam uma maior frequência de fatores de risco não tradicionais, como estresse mental e depressão e fatores de risco inerentes ao sexo, como gravidez, menopausa e menarca, entre outros.
Quanto mais se demora no tratamento do infarto, mais músculo cardíaco
se perde. Porque o infarto vai levar a uma isquemia do músculo, esse músculo
vai deixar de funcionar. Então, quanto menor a área de sofrimento do infarto,
melhor o prognóstico para esse paciente.
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