Sorria e seja feliz...
Sorria
quando disser algo... e sobretudo quando não disser.
Era
sábado à noite e eu apresentava um dos eventos em uma boate. O tópico do
momento era como criar “abordabilidade”
— essa inefável qualidade que parece
atrair uma procissão infindável de homens, mulheres, crianças e animais na
direção de indivíduos particularmente instigantes.
Notei
que uma jovem elegante acenava para mim de uma das mesas da frente. Queria
fazer uma pergunta. Não me surpreendí.
—
Susan, saio com amigos o tempo todo. Quando não jantamos fora, vamos ao teatro
ou a uma boate dançar. Nos finais de semana esquiamos, visitamos um museu ou
passeamos por algum bairro que todos desejem explorar.
— A mulher olhou ao redor, como se para
certificar-se de que nenhum dos presentes ousaria utilizar contra ela a
informação que revelaria a seguir.
—
O que não consigo entender é que minhas amigas são paqueradas o tempo todo.
Homens mais velhos, mais jovens, acompanhados... minhas amigas conquistam
todos.
Mas nenhum estranho interessante se aproxima
para conversar comigo. — Esboçou um sorriso melancólico. — Sei que não sou
feia. E sou simpática. Então por que sou sempre eu quem segura a vela enquanto
minhas amigas seguram seus pretendentes?
De
fato, era uma jovem bonita; sobre isso não havia a menor dúvida. Alta e
esguia, pele perfeita e lindos cabelos cor de avelã, tinha todos os atributos —
exceto um — para atrair a maioria dos homens: seus lábios caíam visivelmente
nos cantos.
Devido
a algum acidente de engenharia genética ou simplesmente por uma questão de
hábito, essa mulher, que poderia ser linda, carregava sempre um ar de desgosto.
Por
mais bem-humorada que estivesse, por mais animada, simpática e aberta que
fosse, sua expressão de permanente desânimo era tão perturbadora que eu sabia
ser essa a razão pela qual os homens não investiam nela.
Pedi que se encontrasse comigo após
a sessão
para falarmos em particular.
Expliquei, então, do modo mais gentil que pude, o
que ela poderia fazer para, deliberadamente,
mudar
sua expressão e ela prometeu que me procuraria caso sentisse que não teria
condições de corrigir o problema.
Como não a vi desde então, presumo que esteja
muito mais feliz.
Os
seres humanos têm apenas semanas de vida quando percebem o tremendo poder de um
simples sorriso. Um sorriso tímido é uma das poucas ferramentas de comunicação
de que um bebê dispõe e, no entanto, é a chave para que todas as suas
necessidades básicas sejam atendidas.
