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quinta-feira, 25 de junho de 2015

A discreta gordura do fígado e esteatose hepática




A discreta gordura do fígado e esteatose hepática 
 Cristina Nabuco

Nem culote nem pneuzinho. A gordura mais terrível é a que sobrecarrega o órgão. Ela inflama e destrói células, eleva o risco de câncer, pode ser fatal. Não dá sinais e prejudica até quem está longe de ser obeso

A mulher vai ao médico para perder uns quilinhos e reconquistar o espelho. Não apresenta nenhum sintoma nem está muito gorda. Tem barriguinha saliente e suas roupas apertam, marcando curvas que preferia ocultar. E só. 

Mas ela toma um susto ao receber os resultados dos exames: colesterol um pouco alto, açúcar no sangue quase ultrapassando o limite normal, insulina elevada e, pior, fígado gorduroso.

 O nome técnico é esteatose hepática. Significa que há acúmulo excessivo de gordura nas células do fígado. Esse mal, cada vez mais frequente, foi destaque do Congresso Brasileiro de Hepatologia, realizado no Rio de Janeiro em outubro. 

Em um grupo de 25% a 50% dos atingidos, o problema evolui para uma inflamação no órgão, o que gradualmente destrói as células hepáticas, formando cicatrizes que comprometem seu funcionamento - quadro conhecido como cirrose.

 O tecido, que era macio e esponjoso, vai ficando rígido, o que dificulta a circulação do sangue. Nos estágios avançados, há retenção de líquidos, perda de massa muscular, sangramento intestinal, colapso hepático e morte.

 "Antes, a principal causa da cirrose era o consumo exagerado de álcool. Hoje, uma pessoa pode ter cirrose mesmo sem beber uma gota", explica a endocrinologista Cintia Cercato, diretora da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso).

Os especialistas esperam um crescimento disparado na incidência de fígado gorduroso diante da escalada da obesidade. De 2006 para 2012, o índice de obesos no país subiu de 11,4% para 17,4% e o de pessoas que ainda não chegaram lá mas já estão com sobrepeso pulou de 43% para 51%, segundo dados da Vigitel, pesquisa do Ministério da Saúde realizada nas capitais brasileiras.

 Outra preocupação: a doença hepática gordurosa não alcoólica pode evoluir para câncer, aumenta o risco de diabetes (por prejudicar a ação da insulina) e anda de braços dados com distúrbios que ameaçam o coração.

 A gordura mais lesiva para o fígado - a visceral - é justamente a que oferece maior risco de infarto de miocárdio. Ela tem ligação direta com a síndrome metabólica, transtorno em que se associam perigos para o músculo cardíaco.