Distúrbios de evacuação.
Podemos fazer um trabalho melhor?
Lucia Camara Castro OLIVEIRA*
*Diretora de Fisiologia Anorretal - CEPEMED - Rio de Janeiro e cirurgiã colorretal do Hospital Casa de Saúde São José, Rio de Janeiro. Pesquisadora da Cleveland Clinic Florida. Membro internacional da Sociedade Americana de Cirurgiões de Cólon e Reto. Membro titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões e da Sociedade Brasileira de Coloproctologia. ORCID: 0000-0002-1911-568X.
Oliveira LCC. Distúrbios de evacuação. Podemos fazer um trabalho melhor? Arq Gastroenterol.
A constipação crônica continua sendo um sintoma comum com importantes consequências para os pacientes e implicações nos custos. Geralmente está relacionada a diversos fatores que envolvem mecanismos complexos (1).
Como a definição de constipação varia entre pacientes e médicos, um critério de definição foi proposto e se tornou a ferramenta mais utilizada para auxiliar na avaliação dos sintomas.
Os Critérios de Roma estão em sua quarta revisão e definem constipação quando um paciente tem menos de três evacuações por semana e fezes insatisfatórias nos últimos 6 meses, durante um período de 3 meses, em combinação com esforço, evacuação incompleta, fezes endurecidas e necessidade de manobras manuais em mais de 25% das evacuações (2). É uma ferramenta confiável que ajuda a compreender os sintomas mais importantes e a classificar os pacientes nas duas categorias principais: distúrbios de evacuação ou distúrbios da motilidade intestinal.
Os distúrbios de evacuação podem ter origem funcional ou estrutural. Um distúrbio de evacuação funcional faz parte da síndrome da defecação obstruída (SDO) e é caracterizado por contração paradoxal ou relaxamento inadequado dos músculos do assoalho pélvico durante a tentativa de defecação, resultando em sintomas de defecação prejudicada, como evacuação incompleta, esforço e tenesmo(3).