Cuidado com a autossabotagem
A autossabotagem é um processo inconsciente que dificulta a mudança, porque a pessoa tende a repetir comportamentos em ciclos que a prejudicam sem perceber que isso acontece.
Os pensamentos relacionados abaixo oferecem indícios de autossabotagem:
° “Primeiro você. Não se preocupe comigo, eu prefiro ficar por último.”
° “Eu não mereço mais do que isso.”
• “Não tenho que dar satisfação a ninguém, nem a mim mesmo. ”
° “E muita areia para o meu caminhão.”
® “Eu não perdoo nunca, nem a mim mesmo.”
° “Eu sempre me dou mal, já estou acostumado. Nunca chegarei a lugar nenhum.”
® “Segunda-feira eu começo.” / “Amanhã a gente vê isso.”
Certas atitudes também podem sinalizar a autossabotagem, como a dispersão, a falta de foco, o autoengano e a procrastinação. Vou me deter nesse último inimigo, pelo impacto negativo que exerce sobre a gestão do tempo.
Procrastinar é adiar, deixar sempre para depois, em geral para a última hora, quando não tem mais jeito. O equivalente popular seria “empurrar com a barriga”. Pode ocorrer no trabalho, ao deixar os relatórios em cima da hora.
Também em casa, na escola, na família, no lazer, no guarda-roupa desorganizado, na limpeza da casa. Pode ser ao protelar exames e cuidados com a saúde. Ao evitar uma conversa importante com o cônjuge, os filhos e os parentes. Ao estudar só na véspera da prova. Quem se comporta assim está procrastinando.
Como reconhecer e quebrar a repetição desses comportamentos autodestrutivos?
“E preciso descobrir a origem dos conflitos inconscientes, entender as razões subjacentes àquele comportamento, tornar consciente o que não está tão claro e auxiliar o indivíduo a perceber a si mesmo e o mundo à sua volta de maneira diferente”, explicam o psicólogo Stanley Rosner e a escritora Patrícia- Hermes no livro O ciclo da autossabotagem}
Ambos insistem que não se trata de um exercício intelectual, pois se o reconhecimento não for internalizado, sentido e elaborado, nada vai mudar.
No que se refere ao uso inadequado do tempo, a solução para matar esse dragão é questionar suas desculpas, tirar da frente as distrações, tentar manter o foco, descomplicar a vida e dar-se prémios por tarefas cumpridas. Precisa ir ao dentista, mas adia sempre? Na próxima vez que conseguir ir, na saída se dê um CD do seu artista favorito de presente — uma pequena indulgência faz bem e reforça comportamentos desejados.
Mais importante: descubra a raiz dos motivos que levam a protelar tudo: medo de errar? Temor do sucesso? Perfeccionismo?
São Jorge, o santo popular cultuado na Turquia como
“Jorge da Capadócia”, enfrentou e venceu o dragão da maldade. Da mesma forma,
cada um de nós precisa derrotar os “dragões internos” que nos consomem e nos
impedem muitas vezes de sermos mestres de nossas vidas. Precisamos superar
esses obstáculos ocultos às tentativas de criar as nossas Segundas Chances.
Vencer esses “inimigos” pode tomar a forma de superar
preconceitos, desenvolver maior grau de inteligência emocional, encarar
aqueles pontos cegos que podem nos levar à autossabotagem, buscar maior
equilíbrio nas diferentes dimensões da nossa vida.
Temos uma tendência quase instintiva de buscar nos outros
(ou em circunstâncias externas) a causa de nossos problemas, a explicação para
nossa incapacidade de realizar nossos sonhos, de cumprir nossas metas ou de
dar uma guinada em nossas vidas.
São os famosos “bodes expiatórios”, os álibis, as desculpas que formulamos para nos acalmar.
E mais fácil atribuir a culpa ao governo, à taxa de
juros, à empresa na qual trabalhamos (“lá não consigo realizar meu potencial”),
ao chefe (“insuportável e invejoso, além de limitado é centralizador”), ao
concorrente (“está conquistando fatia ) mercado por meio de práticas sujas”);
à tecnologia
(“muda toda hora, nos pegando de surpresa”), à legislação (“antiquada e contra-
producente”), à mulher (“não me deixa fazer o que gosto”), ao ex- marido (“sou
infeliz, não consigo fazer mais nada na vida desde que nos separamos”).
Às vezes, responsabilizamos a natureza (“choveu e
destruiu tudo” ou “não chove e fica tudo seco”) ou até mesmo Deus (“Ele quis
assim, só me resta cumprir os Seus desígnios”).
O principal empecilho para virar o jogo da vida a nosso
favor reside, na realidade, dentro de cada um de nós: nosso modelo mental,
valores, crenças, dogmas, atitudes e posturas.
Acreditamos tanto
em algumas verdades que acabamos prisioneiros delas — “Em time que está
ganhando não se mexe!”, por exemplo. “Manda quem pode, obedece quem tem juízo!”
é outro exemplo, entre vários:
“Sou pago pra fazer e não pra pensar”, “Devagar e sempre
a gente chega lá”, “Lugar de mulher é na cozinha!”, “Dessa vida nada se leva!”,
“Há 15 anos faço assim, por que mudar agora?”.
Essas pérolas dos ditos populares ilustram bem a atitude
de passividade, acomodação e determinismo que norteiam os comportamentos de
muita gente.
Também é comum ficar acorrentado ao passado, dirigindo a
vida pelo espelho retrovisor. Precisamos aprender que história não é
destino. E assumir as rédeas do nosso futuro. Só assim poderemos lutar
pelas guinadas que precisamos promover para realizar nossos sonhos. Afinal, o
importante não é de onde você veio, nem onde está. O importante é aonde você
quer chegar!
Mas para “chegar lá”, aonde queremos e sonhamos, precisamos
vencer nossos “dragões internos”.
Vamos, então, olhar mais de perto alguns desses nossos
inimigos nem sempre visíveis.
Autor Cezar Souza - livro "Voce merece uma segunda chance".
Postado por Dharmadhannya


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