segunda-feira, 30 de março de 2026

Cuidado com a autossabotagem

 


Cuidado com a autossabotagem

A autossabotagem é um processo inconsciente que dificulta a mudança, porque a pessoa tende a repetir comportamentos em ciclos que a prejudicam sem perceber que isso acontece.

Os pensamentos relacionados abaixo oferecem indícios de autossabotagem:

° “Primeiro você. Não se preocupe comigo, eu prefiro ficar por último.”

° “Eu não mereço mais do que isso.”

• “Não tenho que dar satisfação a ninguém, nem a mim mesmo. ”

° “E muita areia para o meu caminhão.”

® “Eu não perdoo nunca, nem a mim mesmo.”

° “Eu sempre me dou mal, já estou acostumado. Nunca chega­rei a lugar nenhum.”

® “Segunda-feira eu começo.” / “Amanhã a gente vê isso.”

Certas atitudes também podem sinalizar a autossabotagem, como a dispersão, a falta de foco, o autoengano e a procrastinação. Vou me deter nesse último inimigo, pelo impacto negativo que exerce sobre a gestão do tempo.

Procrastinar é adiar, deixar sempre para depois, em geral para a última hora, quando não tem mais jeito. O equivalente popular seria “empurrar com a barriga”. Pode ocorrer no trabalho, ao dei­xar os relatórios em cima da hora.

 Também em casa, na escola, na família, no lazer, no guarda-roupa desorganizado, na limpeza da casa. Pode ser ao protelar exames e cuidados com a saúde. Ao evitar uma conversa importante com o cônjuge, os filhos e os parentes. Ao estudar só na véspera da prova. Quem se comporta assim está procrastinando.

Como reconhecer e quebrar a repetição desses comportamentos autodestrutivos?

“E preciso descobrir a origem dos conflitos inconscientes, entender as razões subjacentes àquele comportamento, tornar consciente o que não está tão claro e auxiliar o indivíduo a perceber a si mesmo e o mundo à sua volta de maneira diferente”, explicam o psicólogo Stanley Rosner e a escritora Patrícia- Hermes no livro O ciclo da autossabotagem}

Ambos insistem que não se trata de um exercício intelectual, pois se o reconhecimento não for internalizado, sentido e elaborado, nada vai mudar.

No que se refere ao uso inadequado do tempo, a solução para matar esse dragão é questionar suas desculpas, tirar da frente as distrações, tentar manter o foco, descomplicar a vida e dar-se prémios por tarefas cumpridas. Precisa ir ao dentista, mas adia sempre? Na próxima vez que conseguir ir, na saída se dê um CD do seu artista favorito de presente — uma pequena indulgência faz bem e reforça comportamentos desejados.

Mais importante: descubra a raiz dos motivos que levam a protelar tudo: medo de errar? Temor do sucesso? Perfeccionismo?

Segunda Chance

São Jorge, o santo popular cultuado na Turquia como “Jorge da Capadócia”, enfrentou e venceu o dragão da maldade. Da mesma forma, cada um de nós precisa derrotar os “dra­gões internos” que nos consomem e nos impedem muitas vezes de sermos mestres de nossas vidas. Precisamos superar esses obstácu­los ocultos às tentativas de criar as nossas Segundas Chances.

Vencer esses “inimigos” pode tomar a forma de superar precon­ceitos, desenvolver maior grau de inteligência emocional, encarar aqueles pontos cegos que podem nos levar à autossabotagem, bus­car maior equilíbrio nas diferentes dimensões da nossa vida.

Temos uma tendência quase instintiva de buscar nos outros (ou em circunstâncias externas) a causa de nossos problemas, a expli­cação para nossa incapacidade de realizar nossos sonhos, de cum­prir nossas metas ou de dar uma guinada em nossas vidas.


São os famosos “bodes expiatórios”, os álibis, as desculpas que formulamos para nos acalmar.

E mais fácil atribuir a culpa ao governo, à taxa de juros, à empresa na qual trabalhamos (“lá não consigo realizar meu potencial”), ao chefe (“insuportável e invejoso, além de limitado é centralizador”), ao concorrente (“está conquistando fatia ) mercado por meio de práticas sujas”);

 à tecnologia (“muda toda hora, nos pegando de surpresa”), à legislação (“antiquada e contra- producente”), à mulher (“não me deixa fazer o que gosto”), ao ex- marido (“sou infeliz, não consigo fazer mais nada na vida desde que nos separamos”).

Às vezes, responsabilizamos a natureza (“choveu e destruiu tudo” ou “não chove e fica tudo seco”) ou até mesmo Deus (“Ele quis assim, só me resta cumprir os Seus desígnios”).

O principal empecilho para virar o jogo da vida a nosso favor re­side, na realidade, dentro de cada um de nós: nosso modelo mental, valores, crenças, dogmas, atitudes e posturas.

 Acreditamos tanto em algumas verdades que acabamos prisioneiros delas — “Em time que está ganhando não se mexe!”, por exemplo. “Manda quem pode, obedece quem tem juízo!” é outro exemplo, entre vários:

“Sou pago pra fazer e não pra pensar”, “Devagar e sempre a gente chega lá”, “Lugar de mulher é na cozinha!”, “Dessa vida nada se leva!”, “Há 15 anos faço assim, por que mudar agora?”.

Essas pérolas dos ditos populares ilustram bem a atitude de passividade, acomodação e de­terminismo que norteiam os comportamentos de muita gente.

Também é comum ficar acorrentado ao passado, dirigindo a vida pelo espelho retrovisor. Precisamos aprender que história não é destino. E assumir as rédeas do nosso futuro. Só assim podere­mos lutar pelas guinadas que precisamos promover para realizar nossos sonhos. Afinal, o importante não é de onde você veio, nem onde está. O importante é aonde você quer chegar!

Mas para “chegar lá”, aonde queremos e sonhamos, precisa­mos vencer nossos “dragões internos”.

Vamos, então, olhar mais de perto alguns desses nossos inimi­gos nem sempre visíveis.

Autor  Cezar Souza - livro "Voce merece uma segunda chance".

Postado por Dharmadhannya

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