A chave do
sucesso existe?
O que
realmente faz alguém ficar bom em algo é treino duro, dolorido, no limite do
executável. No fim das contas, é treino tão difícil que modifica seu cérebro.
(Só para constar: estima-se que aos 6 anos Mozart já tivesse estudado piano
durante 3 500 horas. Quer dizer, ele não era talentoso, era assustadoramente
dedicado.)
É aí que
está a chave do sucesso: no cérebro (para variar). Nosso cérebro é formado
por duas partes principais: a massa cinzenta (os neurônios) e a massa branca.
Durante muito tempo, acreditamos que a capacidade cerebral estava escondida nos
neurônios.
Nos últimos 5 anos, no entanto, neurologistas
e psiquiatras resolveram estudar a massa branca, que até então era ignorada. O
que eles descobriram mudou a maneira de entender as habilidades.
A massa
branca é formada principalmente por mielina, um tipo de gordura que
envolve os axônios (aquele rabinho comprido que todo neurônio tem). Ela serve
de isolante para os impulsos elétricos que percorrem o cérebro. Sempre se soube
que a mielina estava distribuída de forma irregular ao redor dos
neurônios, mas só agora descobriu-se por quê.
Ela é
depositada sobre as células nervosas com o intuito de melhorar a condução da
eletricidade. A distribuição desigual serve para deixar os impulsos elétricos
mais precisos – para chegarem ao mesmo tempo nos neurônios, por exemplo.
À medida que os impulsos elétricos se tornam
precisos, eles coordenam melhor os nossos movimentos e pensamentos.
Isso vale
para qualquer tipo de ação: de jogar basquete a entender física quântica ou
falar em público. “Quando você pratica algo, a mielina se deposita e
os sinais entre as sinapses vão ficando mais eficientes.
A mielinização leva à perfeição”, diz George
Bartzokis, professor de psiquiatria da Universidade da Califórnia, maior
especialista do assunto no mundo.
Esse processo é tão importante que até um bebê
recém-nascido só abre os olhos depois que a mielina em seu cérebro se
depositou nos lugares certos. Da mesma forma, afirma Bartzokis, um idoso perde
sua mobilidade não porque seus músculos se atrofiaram, mas porque a mielina do
cérebro decaiu.
Pane no
sistema
Para a
mielinização ser mais eficiente, é preciso errar muito e sempre. Você já deve
ter sentido isso na pele. Quando cai da bicicleta ou leva uma bronca do seu
chefe por causa de um relatório malfeito, você vai se esforçar em dobro para o
escorregão não acontecer de novo.
“Se você
sempre repetir aquilo que já sabe, não há evolução. O ideal é falhar tentando
algo novo e mais difícil”, diz Anders Ericsson. É nessa condição que a mielina
é mais eficientemente espalhada pelo cérebro.
Os que erram – e treinam mais – são também
recompensados. Isso é visível em ressonâncias magnéticas. Músicos, escritores e
crianças que tiram nota alta têm muito mais massa branca do que seus pares
“comuns”. Quem, aliás, era recordista em massa branca era Einstein.
Quando o cérebro do físico foi dissecado,
notou-se, entre outras coisas, uma quantidade anormal de mielina. “Quem nunca
errou nunca fez nada de novo”, dizia ele.
Na teoria,
a mielina é muito linda: ela recompensa quem se esforça e qualquer um pode ser
bem-sucedido. Mas, como tudo na vida, há algumas limitações (ou você acreditava
realmente que poderia ser como o Kaká?).
O auge da
mielinização acontece durante a infância, quando toda forma de atividade é
novidade e tem de ser aprendida: de abrir os olhos a usar os talheres. Até os
30 anos, ela continua em alta escala – e é justamente quando se aprendem novas
habilidades com facilidade.
Até os 50,
a mielina ainda pode ser ajustada em direção a um ou outro aprendizado. Depois
disso, infelizmente, as perdas são maiores que os ganhos. A mielinização
continua, mas para preservar as aptidões já adquiridas.
Ou seja, a má notícia é que, se você quisesse
ter sido o Kaká, deveria ter começado cedo. Já a boa é que, se você se contenta
em apenas melhorar o seu trabalho para ser promovido, há tempo de sobra.
Além da idade, há algumas limitações sérias. Há cérebros mais preparados para mielinizar do que outros. Por exemplo, quem não consegue metabolizar a polipoproteínas já sai perdendo.
Elas são
proteínas que se ligam às gorduras (o colesterol, principalmente) e têm grande
influência na produção de mielina. (Mielina tem muito colesterol. Por isso, se
você andava cortando o ovo com medo de problemas cardíacos, pense que isso pode
estar emburrecendo você.
Não é à
toa também que médicos ultimamente têm receitado ovo para pacientes com
Alzheimer – ele parece influir nas habilidades do cérebro.) Essa disfunção pode
ser detectada numa análise genética, mas, adivinhe só, como tudo que envolve
genes, ainda não está esclarecida.
Tem que lutar, não se abater
Se treino
é responsável por boa parte do sucesso das pessoas que chegaram ao ponto mais alto
do pódio (outros fatores virão), é preciso entender o que as levou a se
esforçar tanto.
Quem passa
10 mil horas da vida se dedicando a qualquer coisa que seja tem pelo menos uma
característica muito ressaltada: o autocontrole.
É ele que permite que a pessoa não se lembre
que seria muito mais legal dormir ou estar no bar do que trabalhando. O teste
do marshmallow, feito na Universidade Stanford na década de 1960, é o melhor
exemplo que se tem sobre a ocorrência de autocontrole.
Psicólogos
ofereciam a crianças um grande marshmallow e davam a elas a opção de comê-lo
imediatamente ou esperar um tempinho enquanto os psicólogos saíssem da sala. Se
as crianças esperassem, ganhariam de recompensa um segundo marshmallow.
Apenas um terço das crianças aguentava esperar,
o resto comia o doce afoitamente. (Há um vídeo na internet desse teste feito
nos dias de hoje. As imagens das crianças tentando resistir à tentação são de
partir o coração.) Depois, os pesquisadores acompanharam o desempenho dessas
crianças nas décadas seguintes.
Aquelas que haviam esperado pelo segundo doce
tinham tirado notas mais altas no vestibular e tinham mais amigos. Depois de
anos estudando esse grupo de voluntários, concluiu-se que a capacidade de
manter o autocontrole previa com muito mais precisão a ocorrência de sucesso e
ajustamento – era mais eficiente do que QI ou condição social, por exemplo.
Por isso,
tente sempre atrasar as gratificações – passe vontade e não faça sempre o que
der na telha: o segredo para o sucesso pode estar aí.
A questão
agora é entender por que algumas pessoas abrem mão do prazer imediato em troca
do trabalho duro, e por que outras preferem sempre sair mais cedo do
escritório. O processo mental, na verdade, é muito simples: para ter
autocontrole, é preciso não ficar pensando na tentação e focar naquilo que é
realmente importante no momento – por exemplo, terminar o serviço.
É possível que esses traços tenham uma origem
genética, mas é mais provável que a diferença esteja em outro ponto importante
para entender o sucesso: motivação.
Quem está motivado para ganhar uma medalha
olímpica ou fazer um bom trabalho também abre mão da soneca da tarde com mais
facilidade.
Motivação
e ambição são um negócio meio misterioso, na verdade. Não funciona para todos
da mesma maneira. “A maioria das pessoas sonha com um emprego estável, um
salário aceitável, um chefe legal.
Nem todo mundo tem ambição e quer crescer o
tempo todo”, diz Marcelo Ribeiro, professor do departamento de psicologia
social e do trabalho da USP.
Evolucionariamente, isso também faz todo o
sentido. Durante séculos de seleção natural, alguns poucos ambiciosos foram
escolhidos para conquistar os melhores pares, os maiores pedaços de comida e os
cargos de liderança. Infelizmente, toda essa fartura não pode ir para todos – e
a maioria teve de aprender a se satisfazer com o pouco que sobrou.
Dinheiro
também não é a solução para todos os problemas. Nem sempre ele funciona como um
bom motivador. (Não deixe seu chefe ler isso, se você estiver querendo um
aumento.) Num estudo da Universidade Clark, nos EUA, que testava a capacidade
de voluntários de resolver problemas de lógica, o dinheiro só atrapalhou.
Aqueles
que eram recompensados financeiramente para chegar à solução levavam muito mais
tempo para resolver o problema. Os outros, sem a pressão do dinheiro, se deram
melhor.
Em muitos
casos, acreditar que você está fazendo algo relevante é mais eficiente para
motivação do que um salário mais rechonchudo. Não é à toa, então, que empresas
que esperam resultados inovadores têm horários e cobranças flexíveis – para
esses funcionários, fazer a diferença e a ilusão de independência valem mais do
que ganhar bem.
“O desejo de atribuir significado ao nosso
trabalho é uma parte inata e inflexível da nossa composição. É pelo fato de
sermos animais concentrados no significado que podemos pensar em nos render a
uma carreira ajudando a levar água potável à Malaui rural”, escreve o filósofo
pop francês Alain de Botton, em seu livro Os Prazeres e Desprazeres do
Trabalho.
Agulha no palheiro
Christopher
Langan e Robert Oppenheimer eram dois americanos de QI sobre-humano (o de
Christopher é um dos maiores de que se tem notícia: 195. O QI de Einstein, por
exemplo, era 150).
Christopher
aprendeu a ler sozinho aos 3 anos, aos 15 desenhava retratos tão realistas que
pareciam fotografias, aos 16 gabaritou o vestibular e perto dos 20 decidiu
dedicar sua vida à física teórica.
Já Robert
fazia experimentos químicos complexos aos 8 anos de idade, aos 9 já falava
grego e latim e aos 22 tinha concluído seu doutorado, com passagens pelas
Universidades Harvard e de Cambridge.
Os dois, além de gênios, eram esforçados e
passaram a juventude enfurnados em livros – alcançaram facilmente a marca das
10 mil horas de estudo. Robert virou um dos físicos mais importantes do século
20 e ficou conhecido como o “pai da bomba atômica”, pois liderou o time que
desenvolveu a arma durante a 2ª Guerra Mundial. Já Christopher fracassou.
Largou a
faculdade em pouco mais de um ano. Trabalhou como garçom, operário da
construção civil e zelador. Hoje, vive enfurnado em casa, sozinho, tentando
elaborar uma teoria geral que explique o Universo inteiro. O que foi que deu
errado com Christopher?
É duro
dizer, mas sucesso depende também de uma boa quantidade de sorte. Estar na hora
e lugar certos é muito importante – às vezes até mais do que as horas de
treino.
Christopher
Langan, por exemplo, nasceu em uma família pobre. Chegou à faculdade porque
ganhou uma bolsa de estudo. Mas teve de largar as aulas depois de perdê-la,
porque sua mãe, que nunca acompanhou ou incentivou seus estudos, esqueceu-se de
renovar o contrato que daria ao filho mais um ano de estudos grátis.
Sim, ele deu muito azar. Não por causa da mãe
desleixada – mas porque nasceu em uma família desestruturada. Um estudo feito
na Universidade do Kansas mostrou que crianças que crescem em classes sociais
mais baixas ouvem, em média, 32 milhões de palavras a menos nos primeiros 4
anos de vida do que seus colegas abastados (sim, alguém contou).
Além disso, elas são expostas a um vocabulário
menos variado e não são incluídas nas conversas “de adulto”. Isso pode não ter
consequências diretas na inteligência das crianças, mas tem na maneira como elas
se relacionam com as pessoas.
Ter
habilidade social, aliás, é fator determinante para ser bem-sucedido. E é esse
o elemento que foge das estatísticas da ciência. Em áreas em que os mais
talentosos são sempre recompensados, como nos esportes ou na música, a regra
das 10 mil horas e a importância da persistência fazem sempre sentido.
Mas, em ambientes onde a competição é velada,
como nos escritórios, o talento pode facilmente ficar em segundo plano – e
perder importância para o tête-à-tête, as famosas afinidades. “A personalidade
de uma pessoa afeta não só a escolha do trabalho mas, mais importante, quão
bem-sucedida ela vai ser na carreira”, diz Timothy Judge, especialista em
carreira e personalidade da Universidade da Flórida.
Timothy
revisou 3 estudos longitudinais de personalidade que acompanharam a carreira de
mais de 500 pessoas e chegou a conclusões interessantes. Pessoas
autoconscientes, racionais e que pensam antes de agir costumam ganhar mais e
subir mais cargos.
Já quem é extrovertido e emocionalmente
estável é mais feliz. Para o pesquisador, depois de anos observando as
pesquisas, subir de status pode ser importante, mas o fator mais determinante
para o sucesso ainda é sentir-se realizado. “Se a pessoa está infeliz no
trabalho, tem de descobrir o que está atrapalhando. Senão o sucesso não vem
mesmo.”
O segredo do sucesso
Descubra por que algumas pessoas se dão bem na vida
— e veja o que você pode fazer para chegar lá
É o seguinte: desvendamos a fórmula do sucesso.
Você pode rolar a página e descobri-la imediatamente, ou você pode ler o texto
inteiro antes, para entender melhor cada um dos elementos da fórmula. Fica a
seu critério.
Você chega cedo ao trabalho, entrega tudo no prazo,
se dá bem com seus colegas e conhece os processos como ninguém.
Ainda assim, está há anos no mesmo cargo, fazendo o
arroz com feijão de sempre. De repente, chega um novato na área. Ele é jovem,
tem as roupas da moda, se deu bem com a chefia e, pior, começou a abocanhar os
melhores projetos. Em 6 meses lá está ele, promovido, na vaga que deveria ser
sua.
Em dois anos, ele virou seu chefe. No fim, você
teve de reconhecer o talento do novato e aceitar que você não nasceu para ser
chefe. Mas será que é isso mesmo? O que as pessoas bem-sucedidas têm que você
não tem? A resposta, dolorida, é: nada. Absolutamente nada.
Seu chefe, o dono da empresa, o Kaká e o presidente
Lula não vieram ao mundo com um sinal gravado nos genes que diga: eu nasci para
brilhar. Muito menos têm um talento inato que você não possui. Para desespero
dos medíocres da nação, a ciência está descobrindo que todo mundo (e isso
inclui você) teria potencial para ser a bolacha mais recheada do pacote. Aqui
você vai descobrir como – e o que pode dar errado no meio do caminho.
É difícil se acostumar com a ideia de que nascemos
todos com as mesmas chances de brilhar. Principalmente quando olhamos para
aquelas pessoas que parecem ter habilidades sobrenaturais – aquelas que fazem
você se lembrar diariamente das suas limitações: as crianças prodígios, por
exemplo.
A maior de todas as crianças prodígios foi Wolfgang
Amadeus Mozart (perto dele, a menina Maysa é amadora). Aos 3 anos, o austríaco
começou a tocar piano, aos 5 já compunha, aos 6 se apresentava para o rei da
Bavária de olhos vendados, aos 12 terminou sua primeira ópera. Há séculos, ele
vem sendo citado como prova absoluta de que talento é uma coisa que vem de
nascença para alguns escolhidos.
Mas parece
que não é bem assim. A vocação de Mozart não apareceu do nada. Seu pai era
professor de música e desde cedo dedicou sua vida a educar o filho. Quando
criança, Mozart passava boa parte dos dias na frente do piano.
As primeiras
peças que compôs não eram obras-primas – pelo contrário, contêm muitas
repetições e melodias que já existiam. Os críticos de música, aliás, consideram
que a primeira obra realmente genial que o austríaco escreveu foi um concerto
de 1777, quando o músico já tinha 21 anos de idade.
Ou seja,
apesar de ter começado muito cedo, Mozart só compôs algo digno de gênio depois
de 15 anos de treino.
O mesmo pode ser observado com talentos das mais
diversas áreas. Ronaldo, o Fenômeno, tinha de ser arrancado dos campos de
futebol quando criança porque não queria fazer nada que não fosse jogar bola.
Os técnicos
de Michael Jordan se lembram de que o jogador era sempre o primeiro a chegar
aos treinos e o último a ir embora.
E mesmo Bill
Gates, como bom nerd que era, não fez sua fortuna do nada: quando adolescente,
ele passou boa parte da sua (não muito agitada) vida programando computadores
enfurnado numa sala da Universidade da Califórnia.
Ou seja,
mesmo aquelas pessoas bem-sucedidas, que parecem esbanjar talento, ralaram
muito antes de chegar lá.
Isso faz todo sentido, se considerarmos a nova
maneira como os cientistas têm enxergado a influência dos genes na formação de
talentos. Aquilo que costumamos chamar de “talento natural para liderança” ou
“aptidão nata para os esportes” parece não ter nenhuma relação com o nosso DNA.
“Não há
nenhuma evidência de que exista uma causa genética para o sucesso ou
o talento de alguém”, diz Anders Ericsson, professor de psicologia da
Universidade da Flórida que há 20 anos estuda por que algumas pessoas são mais
bem-sucedidas do que outras.
A questão aí
reside no fato de os genes (e sua interação com a nossa vida) serem um assunto
tremendamente complexo – que dá pesadelos até nos geneticistas mais
gabaritados. Já se sabe, por exemplo, que até mesmo traços diretamente ditados
pelo DNA, como a cor dos nossos olhos, são definidos por mais de um gene que se
relacionam entre si. O que dizer, então, de atributos mais complexos?
Há alguns anos, o fetiche dos laboratórios tem sido
relacionar genes a traços de personalidade ou a propensões para desenvolver
distúrbios psiquiátricos. O mais famoso deles é o 5-HTTLPR, que em 2003 virou
notícia ao ser chamado de o “gene da depressão”.
Ele previa uma interação com o ambiente: quem
tivesse sofrido um trauma pessoal e carregasse o 5-HTTLPR em seu DNA teria
também alta probabilidade de ficar deprimido. Muitos outros estudos foram no
embalo dessa descoberta, e logo vieram à luz genes que explicavam a ansiedade,
o déficit de atenção, a hiperatividade e até a psicopatia.
No ano passado, no entanto, uma série de novos
estudos virou essas descobertas de ponta-cabeça. Numa revisão que incluiu todas
as pesquisas já feitas sobre o gene da depressão, concluiu-se que era
impossível concluir que ele influísse na doença. (Isso, sim, é deprimente.)
Já com os outros distúrbios, as descobertas foram
ainda mais intrigantes. Os mesmos genes que causariam ansiedade, psicopatia,
hiperatividade etc. podiam ter os efeitos opostos dependendo do ambiente em que
o portador fosse criado. Ou seja, quem carrega esses genes “malditos”, mas não
passa por traumas, será muito mais ajustado do que quem não tem essas mutações.
E o que se conclui disso tudo? Bem, que os
cientistas ainda vão quebrar a cabeça por muito tempo. Se não dá nem pra dizer
que existe um gene da depressão, como falar, então, do gene da
“habilidade-de-driblar-adversários-e-chutar-a-bola-no-gol”? Ou seja, ainda não
há consenso entre os cientistas de que exista talento para futebol (ou pra
música ou pra gerir uma empresa). Pelo menos, não um ditado pelo DNA.
99% transpiração
Em 1992, pesquisadores ingleses e
alemães resolveram estudar pessoas talentosas para entender o que as
diferenciava dos reles mortais.
Para isso, investigaram pianistas
profissionais e os compararam com pessoas que tinham apenas começado a estudar,
mas desistido. (Pianistas são excelentes cobaias porque seu talento é
mensurável: ou eles sabem executar a música ou não sabem).
O problema foi que os cientistas não
conseguiram achar ninguém com habilidades sobrenaturais entre as 257 pessoas
investigadas – todos eram igualmente dotados.
A única diferença encontrada entre os dois
grupos é que os pianistas fracassados tinham passado muito menos tempo
estudando do que os bem-sucedidos. Quer dizer, não é que faltou talento para os
amadores virarem mestres – faltou dedicação.
Ok, isso não é novidade. Todo mundo
sabe que a prática leva à perfeição. A novidade é que, pela primeira vez,
cientistas conseguiram medir o tempo necessário de estudo para alguém se
destacar internacionalmente em alguma área: 10 mil horas.
Foi a esse número que o especialista
em sucesso Anders Ericsson chegou depois de observar os grandes talentos
das mais diversas áreas. Todo mundo que foi alguém, ele concluiu, do campeão de
xadrez Kasparov ao Steve Jobs, ficou esse tempo todo aperfeiçoando seu ofício.
E não estamos falando de exercícios leves.
Por Karin Hueck - Revista Super Interessante
Postado por Dharmadhannya

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