Fractais quânticos monádicos (nova versão 30-05-09)
Autor: Nelson Job
A simbiose das coisas me equilibra.
Em minha ignota mônada, ampla, vibra
A alma dos movimentos rotatórios...
E é de mim que decorrem, simultâneas,
E a morbidez dos seres ilusórios!
“Eu” Augusto dos Anjos
Esclareceu que um Aleph é um ponto do espaço que
contém todos os pontos.
(...)
O diâmetro do Aleph seria de dois ou três centímetros,
mas o espaço cósmico estava aí,
sem diminuição de tamanho.
Cada coisa (o cristal do espelho, digamos) era
infinitas coisas,
porque eu a via claramente de todos os pontos do
universo.
“O Aleph” Jorge Luis Borges
O senhor vá ver, em Goiás, como no mundo cabe mundo.
“Grande Sertão: Veredas” João Guimarães Rosa
“Introdução”
Pretendemos articular de forma transdisciplinar, os conceitos
de mônada na filosofia de Leibniz, fractal na Teoria do Caos e colapso de onda
na física quântica e em um modelo de consciência quântica.
O que já foi dito
O tema das relações micro-macro são bem antigos, O
hermetismo (WESTCOTT - 2003), filosofia mística ligada à figura de Hermes
Trimegisto que provavelmente remonta ao antigo Egito, em torno de 3 milênios
atrás, vai ter um renascimento no helenismo na Grécia antiga (século III A.C.)
e apogeu no Era Medieval. O hermetismo já afirmava, em seu Princípio da
Correspondência, que o está em cima é como o que está embaixo, o que vai gerar
a astrologia, por exemplo.
Os fractais, por sua vez, são figuras oriundas da
Teoria do Caos que há décadas vem causando fascínio em cientistas e leigos.
Descobertos pelo economista da IBM Benoit Mandelbrot (GLEICK-1989) em 1979
a
partir das figuras dos assim chamados Conjuntos de Julia, os fractais são
figuras feitas por computador a partir de equações matemáticas que derivavam da
investigação de ruídos padronizados, gerando imagens intrigantes, onde as
menores partes da figura praticamente reproduzem a forma do todo,
porém, é
relevante evocar a diferença que há entre fractais, apesar da semelhança.
Localizam-se fractais na natureza, como na morfologia de vegetais, por exemplo,
a samambaia; as encostas de litorais e até nas pinturas de Pollock
(TAYLOR–2003).
O filósofo Gilles Deleuze (2008) relaciona as mônadas
de Leibniz (NEWTON – LEIBNIZ – 1983) com os fractais de Mandelbrot e o
divulgador da ciência James Gleick (1989) também diz que o conceito de
auto-semelhança dos fractais tem seu berço na filosofia de Leibniz.
Por sua vez, o médico Stuart Hameroff (2003) equivale
o conceito de Redução Objetiva (Objetive Reduction – OR) de Roger Penrose
(versão da “vindoura” gravidade quântica para o colapso de onda da
interpretação de Copenhague da física quântica) com o conceito de mônada (e de
ocasião atual de Whitehead (1978)).