A alimentação - Vitaminas e o excesso
AS VITAMINAS NO CÉREBRO
Desse equilíbrio depende, também, o bom funcionamento do cérebro. Em 2007, o bioquímico Marcos Roberto de Oliveira, professor na Universidade Federal do Mato Grosso, estudou a ação da vitamina A no sistema nervoso central de ratos.
Ingerido pelos animais, o nutriente acelerou a oxidação de regiões do cérebro como o hipocampo, o córtex cerebral e o hipotálamo. Os ratos também apresentaram danos nas mitocôndrias (estruturas que extraem energia da glicose para alimentar nossas células).
“O distúrbio na função mitocondrial está comumente associado a doenças neurodegenerativas”, diz Oliveira. Serão necessários mais estudos – e não só em ratos, mas também em humanos – antes de cravar que megadoses de vitamina A realmente possam causar degeneração cerebral.
Mas a ação dela nas cobaias tem paralelo com uma enfermidade já conhecida: a Síndrome de Pibloktoq. Esse fenômeno, também conhecido como Histeria do Ártico, afeta comunidades esquimós, que vivem no extremo norte do planeta.
Com acessos de loucura, as vítimas rasgam as próprias roupas, se atiram na neve e chegam a comer as próprias fezes. Acredita-se que a síndrome seja causada por overdose de vitamina A (pois os esquimós comem os fígados e os rins dos animais que caçam), e provoque danos neurológicos.
“Ela pode causar inchaço no cérebro, como um pseudotumor”, explica Oliveira. O transtorno já foi registrado em adultos, crianças e até cães daquela região. As overdoses de vitaminas (não apenas a A) podem provocar vários outros distúrbios – inclusive, ironicamente, a falta de outras vitaminas.
“Um dos problemas do excesso de vitaminas é demandar maior esforço ao organismo, e essa sobrecarga pode prejudicar a absorção de outros nutrientes”, afirma a nutricionista Silvia Cozzolino, professora da Universidade de São Paulo (USP).
As vitaminas obtidas na comida e aquelas fabricadas em laboratório têm a mesma composição atômica, ou seja, suas moléculas são idênticas.
Mas o organismo não absorve as duas da mesma forma. “O nutriente presente na suplementação não é aproveitado pelo corpo como aquele presente no alimento”, explica a nutricionista Annie Bello, professora da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).
Na comida, as vitaminas fazem parte de uma matriz alimentar, e atuam em sinergia com proteínas, gorduras, carboidratos e minerais. Numa experiência feita ano passado pela Universidade de Massachusetts, cientistas constataram que, quando as pessoas comiam frutas e verduras em combinação com algum tipo de gordura – como azeite – , seus organismos absorviam uma porcentagem maior dos nutrientes contidos nos alimentos.
