Causas da violência e a adolescência
A origem da criminalidade
Sem contar as vidas perdidas, o crime custa ao Brasil mais de 100 bilhões de reais. Para curar essa chega, é preciso primeiro entender como ela é fabricada.
Sem contar as vidas
perdidas, o crime custa ao Brasil mais de 100 bilhões de reais. Para curar essa
chega, é preciso primeiro entender como ela é fabricada.
Rodrigo Vergara
A sensação de
insegurança no Brasil não é sem fundamento. Somos, de fato, um dos países mais
violentos da América Latina, que por sua vez é a região mais violenta do globo.
Em uma pesquisa da Organização das Nações Unidas, realizada com dados de 1997,
o Brasil ficou com o preocupante terceiro lugar entre os países com as maiores
taxas de assassinato por habitante.
Na quantidade de roubos, somos o quinto
colocado. A situação seria ainda pior se fossem comparados os números isolados
de algumas cidades e regiões metropolitanas, onde há o dobro de crimes da média
nacional.
Ênfase no indivíduo
Há quem procure as causas do crime no indivíduo que o comete. Nesse caso, há duas linhas de pesquisa. A primeira explica o comportamento criminoso de um ponto de vista biológico.
Uma das mais famosas dessas teorias – hoje completamente descartada – é a frenologia, criada no século XVIII, segundo a qual o criminoso possui características físicas, como saliências no crânio, que o diferenciam das demais pessoas.
Outros pesquisadores encontraram indícios de que o crime é algo transmitido geneticamente comparando famílias de condenados. Segundo esses, está nos genes a explicação para o fato de que entre a população carcerária é mais comum encontrar pessoas com parentes também envolvidos no crime
. E há ainda as linhas de pesquisa que culpam a má nutrição pelo comportamento criminoso.
A outra linha de pesquisa com foco no indivíduo procura as causas do crime na psique do criminoso. Segundo Sigmund Freud, o pai da Psicanálise, o comportamento anti-social e a delinquência são decorrentes de um desequilíbrio entre o ego, o superego e o id, as três partes que constituem a personalidade individual.
Se o superego – que representa a internalização do código moral da sociedade – é muito fraco, o indivíduo não consegue reprimir seu id – seus instintos e desejos naturais. Resultado: ele força as regras sociais e comete um crime.
A equação psicológica também resulta criminosa se o superego é forte demais. Nesse caso, a pessoa, por seus traços psicológicos, sente-se culpada e envergonhada e procura o crime esperando ser punida, para satisfazer seu desejo de culpa.