A inveja desvendada
Pesquisa revela que esse sentimento é processado na
mesma região cerebral que a dor física. Saiba como controlá-lo
Claudia Jordão e Carina Rabelo Revista Isto é.
Certa vez, um homem, extremamente invejoso de seu
vizinho, recebeu a visita de uma fada, que lhe ofereceu a chance de realizar um
desejo. "Você pode pedir o que quiser, desde que seu vizinho receba o
mesmo e em dobro", sentenciou. O invejoso respondeu, então, que queria que
ela lhe arrancasse um olho. Moral da história: o prazer de ver o outro se
prejudicar prevaleceu sobre qualquer vontade.
É por meio dessa fábula que a
psicanalista austríaca Melanie Klein (1882-1960) definiu na obra "Inveja e
Gratidão", um dos principais estudos já feitos sobre o tema, o
comportamento de quem vive intensamente esse sentimento.
Ao mesmo tempo que o ciúme é querer manter o que se
tem e a cobiça é desejar aquilo que não lhe pertence, a inveja é não querer que
o outro tenha. O mais renegado dos sete pecados capitais é uma emoção inerente
à condição humana, por mais difícil que seja confessá-la. Afinal, todo mundo,
em algum momento da vida, já sentiu vontade de ser como alguém.
Há até um lugar
no cérebro reservado para a inveja. Pela primeira vez, uma pesquisa científica
mostra onde ela e o shadenfreude - palavra alemã que dá nome ao sentimento de
prazer que o invejoso experimenta ao presenciar o infortúnio do invejado - são
processados na mente humana.

