PRISIONEIROS DO
PRESENTE
Distúrbio de Déficit
de Atenção Brando
Embora um caso
exacerbado de DDA certamente prejudique sua vítima, um caso brando tem suas
vantagens. Sem dúvida, uma delas é a capacidade de abandonar velhos hábitos e
começar novos, a exemplo do que fizeram os imigrantes.
Hoje os amplos
contornos do distúrbio de déficit de atenção são conhecidos: acredita-se que o
DDA seja uma falha no sistema de atenção que cria dificuldades para a criança
ou para o adulto prestar atenção quando obrigados.
“Quando obrigado” é a expressão crítica aí,
porque a criança DDA pode ser hiperconcentrada às vezes, num assunto, ou
atividade (vídeo game, por exemplo), do qual não consegue desligar-se.
Como o DDA muda de um extremo de atenção ao outro, de pouquíssima a
demasiada atenção, alguns profissionais não gostam do rótulo “déficit de
atenção”, que consideram, com razão, uma designação incorreta, O problema é
mais uma inconsistência de atenção do que um déficit absoluto.
Menos conhecido do
público é o fato de crianças DDA se classificarem em dois campos distintos: as
com DDAH (distúrbio de déficit de atenção e hiperatividade) e as com DDA sem o
H.
As crianças DDAH são os clássicos garotinhos
incontroláveis (claro que também existem as garotinhas incontroláveis):
crianças que não conseguem ficar paradas, dão respostas sem pensar na sala de
aula e se exibem para as outras crianças, metem-se em brigas no playground,
tiram C e D em tudo, quando seus pais e professores sabem que eles são capazes
de tirar A e B.
Ou seja, crianças que não “funcionam à altura
de sua capacidade”. Ao longo dos anos, seus boletins escolares servem de
manuais de diagnóstico da síndrome:
