Convivendo com o perigo
Por mais incrível que
possa parecer, os psicopatas estão entre nós e, pelo menos na aparência, não se
distinguem das pessoas comuns. Sendo assim, o que fazer para evitar suas ações
e o que acontece com as suas vítimas?
Psicopatologia
Por Júlia Bárány - Revista Psique
Alertar a sociedade é de urgente
utilidade pública. O primeiro passo é informar e esclarecer. Para a grande
maioria das pessoas é quase impossível conceber que um ser humano seja
totalmente amoral como o psicopata.
Com frequência, as vítimas são alvo
de emboscadas bem planejadas, sem pistas, como um aparente acidente de carro.
Existe protocolo para
atender vítima de sequestro, de estupro, de violência doméstica, vítima de
estelionato, de falcatrua, de roubo, mas não existe para atender vítima de
psicopata.
Não existe, tampouco, proteção legal, não há
advogados especializados em sua defesa e, na grande maioria dos casos, o
psicopata enrola até o juiz e sai ileso do caso, virando tudo do avesso,
transformando- se em vítima quando é o algoz e descarregando o ônus em cima da
vítima real.
Os profissionais de
saúde que recebem essas vítimas em seus consultórios, na grande maioria, não
sabem pelo que realmente essa pessoa passou e o que ela precisa para começar a
se recuperar do tsunami que devastou sua vida.
A vítima chega incompreendida até por sua
família, seus amigos, que acabam acusando-a de ter sido responsável por ter
“confiado” no psicopata. É quase impossível não cair na armadilha uma vez que o
psicopata decida capturar a pessoa.
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Desvios de conduta graves, como
roubar, mentir, usar, descartar, manipular são ações inconsequentes e
corriqueiras para o psicopata
Numa relação afetiva, a
primeira fase, da conquista, é algo que a vítima jamais experienciou igual na
vida.
Ela se torna o centro de atenções dele, é cumulada de elogios, presentes,
toda espécie de mimos, bajulações, a tal ponto que a vítima não enxerga mais
nada a não ser o príncipe encantado que se materializou na sua frente.
Todos os indícios de possíveis incongruências,
de possíveis inverdades são camuflados pelos fogos de artifício. Deixa para lá
todas as anteriores, horríveis, que nem chegam aos seus pés. Ela é finalmente a
mulher que ele esperou a vida toda (ou vice e versa). Deve ser um encontro
planejado nos céus, que agora finalmente se realiza.
A vítima se entrega aos
pedaços até se entregar inteira. Passa a senha da sua conta bancária, transfere
para o nome dele suas propriedades, faz-lhe uma procuração conferindo plenos
poderes.
Deixa-o usar todos seus contatos profissionais, o psicopata se
intromete na família da vítima a ponto de criar conflitos insolúveis, toma
conta das amizades e afasta todas, eliminando assim o sistema de suporte da
vítima.
E a lábia dele é tão convincente que não há dúvida de que esteja
fazendo tudo porque ama e quer o bem da vítima. Pronto, agora que o alvo está
sob seu domínio, fim da primeira fase.
