A esperança é a nossa Chave Mestra.
Quando nada dá certo
Enquanto ouvia as ondas cinzentas arrebentar na areia,
Liz sentia sua vida se despedaçando ao seu redor. Tudo dera errado. Ela se
sentia mal e estava convencida de que era tudo culpa sua.
Liz brigara com o companheiro e tinha certeza de
que ele deixaria e voltaria para a antiga namorada. No estado de espírito
perturbado que se apossara dela, Liz batera o carro, e o seguro só cobria
prejuízos de terceiros. O pior de tudo é que ela trabalhara dia e noite na
preparação de um projeto no trabalho. Sabia que o projeto era bom — muito
melhor do que os outros —, mas o chefe o rejeitara de um modo muito desdenhoso.
Ela permanecia encolhida em meio ao vento frio como
gelo, culpando-se, criticando-se e se menosprezando, com seus pensamentos
rodopiando na sua cabeça até ela se sentir arrasada, com pensamentos sobre
suicídio.
Nesse momento, o sol brilhou por entre as nuvens e ela
se lembrou de uma das nossas sessões. Eu lhe ensinara a criar pais sábios, que
podiam encorajá-la e dar-lhe conselhos em momentos como esse.
Ela interrompeu os pensamentos autodestrutivos, pôs-se
de pé e começou a imaginar seus pais sábios. Sua mãe sábia e protetora lhe
disse: “Você está faminta. Vá comer alguma coisa quente e começará a se sentir
melhor. Você sabe que Jim a ama; fale com ele com bastante tato.”
Seu pai sábio lhe disse: “Você se saiu muito bem;
estou orgulhoso de você, O projeto é excelente, merece reconhecimento. Seu
patrão simplesmente não compreende o seu valor. É hora de ter coragem. Procure
o diretor-executivo.” E acrescentou: “Liz, você é linda; eu a amo e Jim
também.”
Ela escutou as vozes sábias e começou a se sentir
melhor. Deixou a praia fria e foi procurar um lugar quente onde pudesse comer
alguma coisa. Então, sentindo-se muito mais forte, voltou para o trabalho e
procurou o diretor-executivo. Ele escutou o que ela tinha a dizer, gostou do
projeto que ela elaborara e decidiu passar por cima do chefe de Liz. Ela se
sentiu acolhida, valorizada e feliz.
Nesse estado de espírito, foi para casa e procurou
encarar de forma positiva as suas dificuldades com Jim. Conseguiu aceitar que
ela também contribuíra para criar essas dificuldades. Quando Jim chegou em
casa, ela se mostrou afetuosa, receptiva e pronta a ser sincera.
Eles se
entenderam sem maiores problemas.
Jim deu uma olhada no carro batido. O que parecia uma
catástrofe à luz da atitude mental negativa de Liz, tornou-se pouco mais que
uma amassadinha quando ela e Jim o examinaram. Ele disse que podia desamassar e
repintar com facilidade.