A
família não é uma democracia.
Nem todas as opiniões têm o mesmo valor e nem
todos os membros têm direito a voto.
Uma
boa estrutura familiar envolve um ou dois (outros números também são
aceitáveis, mas dois é a quantidade mais comum nos países ocidentais) adultos,
em geral com poderes iguais.
Há também uma nítida linha divisória, deixando
bem claro que são eles que detêm o poder, o controle, o saber e a experiência
que os fazem capazes de cuidar do bem- -estar e da educação dos demais.
Em
uma boa estrutura familiar, os filhos também têm mais ou menos o mesmo poder, e
suas necessidades, com o tempo, serão atendidas igualmente.
Pai
ou mãe que criam os filhos sozinhos costumam ter muito mais trabalho para
manter os limites entre pais e filhos. Questões de disciplina podem ser muito
desgastantes para quem precisa estar vinte e quatro horas em atividade, sem um
momento de descanso.
Fico surpresa ao ver como a maioria dos pais ou mães que
criam os filhos sozinhos consegue administrar uma tarefa contínua, tão difícil
e exaustiva.
Em
certas famílias, às vezes parece que uma das crianças assume o comando.
Frequentemente, um dos membros consegue dominar toda a família, seja por meio
de cenas, desobediência, agressão aos irmãos, chantagem ou simplesmente má
vontade no cumprimento de tarefas.
Os
outros filhos detêm menos poder do que o mais turbulento. Os pais, não raro,
pedem a eles que cedam, em nome da paz ou para que se avance no que precisa ser
feito.
O
limite entre a esfera adulta e a esfera jovem perde a nitidez, e tudo piora
quando há pais ausentes, restando apenas “o poder de um”, para manter a família
funcionando.
Em
tal tipo de estrutura familiar, todos são meio infelizes.
Essa
estrutura não serve para a família'como um todo, mas... e quanto à criança que
é o “pivô” de tudo? Sempre pensei que, no mínimo, a criança dominadora se
sentisse feliz, mas frequentemente é ela a mais infeliz.
