Nosso cérebro precisa constantemente ser estimulado. É muito comum as queixas aumentarem em relação à memória depois de certa idade. O acúmulo de informações e a velocidade com que elas chegam até nós, muitas vezes, não permitem um bom registro na nossa memória. O problema também pode estar na atenção e na concentração.
Para auxiliar nosso cérebro a se
manter ativo, precisamos estimulá-lo sempre. Mas é importante entender que
estimular apenas uma habilidade não é o ideal. Nosso cérebro funciona de
maneira complexa e, ao longo da nossa vida, aprendemos diversas habilidades
como raciocínio, linguagem, lógica, motricidade, entre outras.
Dentro dessa perspectiva, pensar em estimular o cérebro não é simplesmente fazer palavras cruzadas. Claro que fazer isso é um excelente exercício para ampliar o repertório de linguagem e manter o cérebro sadio.
Mas só este tipo de exercício não é o suficiente para melhorar
nossa cognição (processo da aquisição do conhecimento) e, principalmente, nossa
memória. Para uma boa estimulação cognitiva, devemos trabalhar diferentes
exercícios como raciocínio, linguagem, abstração, associações, atenção,
concentração, etc.
Fazer atividade física também é de
extrema importância. Estudos científicos comprovam que quem pratica alguma
atividade física regularmente mantém um cérebro ativo e saudável. Aprender
novas modalidades de esporte também estimula nosso cérebro. A cada novo
movimento, novas áreas cerebrais são ativadas.
É normal, quando aposentamos, ocorrer certa lentificação das habilidades que antes eram utilizadas diariamente no trabalho. Sabe-se hoje que, para se manter uma informação preservada, é necessário que ela seja solicitada, ou seja, o cérebro precisa ser solicitado.
Assim que a pessoa volta a solicitar as informações, caso seja necessário, o
cérebro se reorganiza e é capaz de lembrar de todo processo que parou de
utilizar no momento.
Assim, quando passamos por um
processo de aposentadoria, a recomendação dos profissionais de saúde é que
pratiquemos atividades que exijam atenção, concentração e raciocínio lógico, e
que contribuam para o aumento da carga cognitiva, ou seja, aumento da densidade
sináptica cerebral (conexão de um neurônio com outro), cuja rede de transmissão
é responsável pela neuroplasticidade do cérebro.
Portanto, a aprendizagem deve ser
permanente na vida do ser humano, e o ideal é que sejam práticas em grupo,
pois, deste modo, há também um ganho social por meio do relacionamento entre as
pessoas.
Estudos mostram que o ser humano que possui uma vida socialmente ativa, consegue também ter um cérebro mais saudável.
Nunca é tarde para aprender a fazer exercícios que estimulem o
cérebro, como participar de Oficinas, aprender um novo idioma, uma modalidade
de esporte, a tocar um instrumento musical, viajar, conhecer novas culturas,
pois, é saindo da rotina e encontrando novos desafios que nossa capacidade
cerebral aumenta e podemos retardar possíveis quadros neurodegenerativos, como
é o caso das demências.
FATORES DE PROTEÇÃO CONTRA O DECLÍNIO
COGNITIVO
É comum ouvir na sociedade atual o
medo dos idosos em desenvolver a doença de Alzheimer no final da vida. Mas
devemos entender que nem todo problema de memória está relacionado a essa
doença.
Muitos idosos possuem o comportamento
de risco previsível e hábitos que podem prejudicar diretamente a própria saúde
e consequentemente desenvolver um Declínio Cognitivo Leve (DCL). Este declínio
cognitivo é percebido quando há comprometimento de uma ou algumas funções
cognitivas ao passo que as outras funções ainda estão preservadas.
A cognição envolve todo nosso
funcionamento mental como o raciocínio, a memória, a atenção, a linguagem,
noções espaciais, o sentir qualquer estímulo externo e corresponder. Com
o envelhecimento normal já é esperado uma queda no desempenho cognitivo, mas
nada que prejudique o cotidiano do sujeito.
Alguns fatores podem prejudicar a
saúde cerebral das pessoas. Podemos citar o fumo, o uso do álcool, o não
engajamento em atividades físicas e intelectuais, o diabetes descontrolado e
hipertensão, que devem ser tratados. O indivíduo deve ter o controle sobre o
próprio comportamento para conseguir alcançar qualidade de vida.
Não adianta se queixar da memória ou
de qualquer comprometimento cognitivo sem fazer uma reflexão sobre os hábitos
da nossa vida. Você pode se perguntar: estou fazendo atividade física
regularmente?
Estou exercitando meu cérebro com novos
aprendizados e exercícios intelectuais? Como está meu ciclo social? Tenho
lazer? Faço o uso de bebidas alcóolicas sempre e quando não bebo fico pensando
na bebida?
Estas perguntas podem nos
ajudar a encontrar um caminho de vida mais saudável.
Alguns diagnósticos de Declínio Cognitivo Leve podem ser uma “forma incipiente“ de algumas demências, mas outros DCL podem ser revertidos com hábitos de vida saudáveis. Nem toda pessoa acometida com Declínio Cognitivo Leve desenvolverá a doença de Alzheimer, mas todo paciente de Alzheimer teve algum tipo de Declínio Cognitivo Leve.
Alguns estudos científicos em
comunidades de idosos comprovam que as pessoas que possuem poucas conexões
sociais, pouca integração social e vivem mais sozinhas, sem amigos, desenvolvem
facilmente o declínio cognitivo.
A probabilidade de desenvolver um
declínio cognitivo é muito menor entre as pessoas que possuem uma boa integração
social e participam de atividades de lazer. Outro aspecto observado e que serve
como fator de proteção contra demências são as atividades mentais que estimulam
o cérebro. O cérebro deve estar sempre ativo!
Alguns esquecimentos fazem parte do
envelhecimento e devem ser encarados com tranquilidade. A partir do momento que
os esquecimentos atrapalham nosso cotidiano e mudam nossa vida como também a
dos familiares, devemos procurar ajuda profissional rapidamente.
Enfim, devemos tentar sempre ter uma
vida social ativa. A amizade, o lazer, a atividade física e intelectual são
fatores importantíssimos na promoção à saúde evitando assim possíveis declínios
cognitivos como também prováveis demências. Se algum desses fatores –
considerados de proteção – não fazem parte da sua vida, busque-os o quanto
antes! Faça uma reflexão…ainda é tempo de se cuidar.
Débora Guizoli
Psicóloga (CRP 04/31433)
(Instrutora de Memória Ativa)
Especialista em Gerontologia pela
PUC/MG
debora@memoriaativa.com.br
www.memoriaativa.com.br
Postado por Dharmadhannya





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