Como funciona o mindfulness
O
mindfulness é um estado mental caracterizado pela atenção plena nas atividades
que estão sendo realizadas.
Todos os
sentidos são acionados para experienciar o momento presente de forma
intencional e consciente. Isso não significa que pensamentos e sentimentos
devam ser ignorados, eles devem ser experienciados conforme acontecem, sem
juízo de valor algum.
Ou seja,
a atenção plena não é “esvaziar a mente” nem “atingir um estado de iluminação”.
A prática
para permanecer no estado mental de atenção plena é como uma atividade física,
é preciso treinar e manter uma rotina para sentir os resultados.
Ela pode ser exercitada em atividades simples da rotina,
deixando o smartphone de lado e se concentrando na atividade que está fazendo
naquele momento. Uma caminhada, uma refeição e até um banho são oportunidades
para praticar.
Depois de
escolher em qual atividade você irá treinar a atenção plena, direcione seu foco
a um dos 5 sentidos (tato, olfato, audição, paladar ou visão) por alguns
minutos.
Comece com um minuto, parta para dois e vá aumentando gradativamente. Estas dicas são consideradas “práticas informais” por profissionais especializados em mindfulness e já trazem benefícios para o seu dia a dia.
O que a
ciência diz sobre o mindfulness
A busca
pela atenção plena é uma prática milenar e tem inspiração no budismo e no
taoísmo.
Quem
trouxe o mindfulness para o Ocidente e passou a estudá-lo foi o biólogo
americano Jon Kabat-Zinn, em 1979. Ele iniciou na faculdade de medicina da
Universidade de Massachusetts, nos Estados Unidos, um programa de redução de
estresse, batizado como Mindfulness-Based Stress Reduction (MBSR).
O MBSR
foi pioneiro ao deixar o aspecto espiritual de lado e chamar a atenção para a
melhora na qualidade de vida decorrente da prática da atenção plena. O programa
é composto por 8 aulas de 2h30 de duração, distribuídas ao longo de 8 semanas.
Nos
encontros, são ensinadas técnicas como a respiração, o escaneamento corporal, a
caminhada e os movimentos com atenção plena. O participante é estimulado a
dedicar 45 minutos do dia aos exercícios de mindfulness após a conclusão do
MBSR.
O programa de Jon Kabat-Zinn é o mais conhecido, porém existem diversos protocolos indicados por psicólogos, psiquiatras e demais profissionais da saúde mental. Hoje o mindfulness complementa o tratamento de transtornos mentais como ansiedade generalizada e depressão, por auxiliar no manejo de problemas do dia a dia.
Os
efeitos do mindfulness na saúde mental despertaram o interesse de cientistas há
alguns anos. Levantamento da Associação Americana de Pesquisa em Mindfulness
(AMRA, na sigla em inglês) mostrou que as publicações científicas sobre o tema
passaram de 12, em 2000, para 624, em 2015.
Para
entender os impactos da prática, pesquisadores se utilizam de exames de
neuroimagem, escalas psicológicas e avaliações neurobiológicas.
Dentre
estas publicações, uma revisão sistemática se destacou. Cientistas da
Universidade John Hopkins realizaram uma meta-análise (análise estatística dos
resultados de dois ou mais estudos independentes) de 17.801 citações e 47
testes com 3320 participantes em 2015.
O
objetivo era entender se, de fato, os programas baseados em meditação
mindfulness contribuíam para a redução de estresse e promoção de bem-estar.
Foram encontradas evidências moderadas de redução de ansiedade, depressão e dor, por isso os pesquisadores alertaram para a necessidade de mais estudos sobre a prática. No entanto, a neurociência já consegue explicar como o mindfulness afeta o cérebro humano.
O que têm
em comum a prática de mindfulness com a neurociência?
A
neurociência explica os benefícios do mindfulness a partir da análise de quais
regiões do cérebro humano são ativadas com a prática. Nosso córtex pré-frontal
é dividido em três conjuntos de estruturas cognitivas que podem ser ativadas
durante os exercícios de atenção plena:
Rede
default (ou rede de modo padrão): rede cerebral ativada quando estamos em
estado de divagação mental, ou seja, quando estamos "viajando". Ela
entra em ação quando pensamos em outras pessoas, em nós mesmos ou em situações
do passado. Também é ativada quando planejamos o futuro.
Saliência:
rede ativada quando direcionamos o pensamento para uma ação.
Rede
central executiva: rede cerebral ativada quando uma tarefa é executada.
O cérebro
alterna entre estes conjuntos continuamente. Durante a prática de mindfulness,
há uma redução nas atividades da rede central, pois ficamos concentrados no
tempo presente. As amígdalas cerebrais também apresentam uma atividade menor, o
que reduz a intensidade de emoções como medo e ansiedade.
Simultaneamente,
há a produção de neurotransmissores que potencializam a sensação de bem-estar,
como:
Ácido
gama-aminobutírico (GABA), conhecido pelo efeito calmante no cérebro;
Dopamina,
associada ao prazer;
Serotonina,
ligada à regulação do humor;
Endorfina,
que tem um efeito analgésico natural no corpo.
O
mindfulness também reduz os níveis de cortisol, hormônio de controle do
estresse do corpo humano. A diminuição melhora a qualidade do sono e desacelera
o processo de envelhecimento celular, além de impactar a resposta imunológica,
os processos inflamatórios e a estrutura do tecido cerebral.
Outro
sinal dos efeitos do mindfulness é o aumento no número de neurônios de
determinadas regiões do órgão.
A conclusão é de pesquisadores da Universidade de Harvard,
que monitoraram 17 participantes de MBSR. Eles observaram que houve um aumento
de massa cinzenta no córtex cingulado posterior, na junção temporoparietal e no
cerebelo. Estas regiões estão associadas à capacidade de aprendizado, memória,
regulação das emoções, processamento autorreferencial e adoção de novas
perspectivas.
Isso
acontece graças à neuroplasticidade do cérebro, ou seja, à capacidade do
sistema nervoso de mudar, adaptar-se e moldar-se ao longo da vida de um
indivíduo, em um nível estrutural e funcional.
Cabe
ressaltar que o mindfulness não deve ser visto como uma cura para todas as
enfermidades, mas como um aliado no tratamento de transtornos mentais, doenças
crônicas (como diabetes e hipertensão) e dores agudas.
E então,
este artigo ajudou na sua jornada de aprendizado sobre o mindfulness? Confira
também os artigos abaixo para complementar seus conhecimentos:
Como o
mindfulness aumenta a produtividade no trabalho
Mindfulness
para profissionais da saúde: conheça os benefícios
Perguntas
frequentes sobre mindfulness e neurociência
O que é
mindfulness?
Mindfulness é um estado mental de atenção plena, em que a pessoa foca no momento presente de forma consciente e sem julgamentos. A prática pode ser exercitada por meio de técnicas de respiração, meditação e atividades do cotidiano, ajudando a reduzir o estresse e melhorar o bem-estar.
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Postado por Dharmadhannya
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