sábado, 8 de junho de 2013

A Sombra e a semente da felicidade em nosso jardim





A sombra e a semente da felicidade em nosso Jardim.

Estudando sobre a sombra encontrei este texto budista e achei muito interessante e complexo. Eu  fique a pensar que há pessoas que entram em nossa mente  e  despertam  a semente do ódio, da miséria, da tristeza que estava adormecida,  nos levam a girar na roda do karma ao seu lado e assim, de um momento para o outro nossa vida muda.

Quem dirige o nosso barco nos leva para o seu mundo para o seu Karma ou dharma. Aquele que vive ao nosso lado, nos envolve no seu mundo, no seu karma, no seu dharma e o cenário da sua vida se mistura com  o cenário da nossa vida.

O inferno somos nós.
O inferno é o estar sozinho,
Tudo o mais são, nele, projeções.
Não há de onde escapar, nem para onde fugir.
Sempre estamos sós.
T. S. Eliot, The Cockail Party

Quando um homem está atormentado,
Como encontrará a paz
Senão pela paciência, até que as águas serenem?
Como a vida do homem seguirá o seu curso
Se ele não a deixar fluir?
Tao Te Ching, 15

 “A Mente Universal transcende todas as individualizações e limites. A Mente Universal é totalmente pura na sua natureza essencial, permanecendo inalterada e livre de equívocos da impermanência, imperturbável pelo egoísmo, serena nas honrarias, desejos e aversões.”

Intermediária entre a consciência universal e a intelectual-individual está a consciência espiritual (manas), que participa das duas. Ela representa o elemento estabilizador da mente, o ponto central de equilíbrio, que mantém a coesão do seu conteúdo por ser o centro de referência.


 “A mente intuitiva (manas) é una com a Mente Universal  por causa da sua participação na Inteligência Transcendental, e é una com o sistema mental (os cinco sentidos e o intelecto) pela sua compreensão do conhecimento diferenciado. A mente intuitiva não tem corpo próprio nem marcas pelas quais pode ser diferenciada. A Mente Universal é sua causa e suporte, mas ela evoluiu com noção de um ego e o que lhe pertence, ao qual se apega e reflete”. (1)

No Texto de Ryotan  Tokuda Igarashi   há alguns esclarecimentos sobre o tema.

P. — Entendo como é que se vai do passado ao futuro, mas será que não se vai do futuro ao presente? Mestre Dogen não fala Isso?

R. — O Yuishíkidiz isso. Quando você muda a consciência do presente, a experiência do passado também muda. Por exemplo, na minha época de treinamento no mosteiro, há vinte anos, eu sofria muito.

Mas hoje entendo e agradeço aquelas experiências dolorosas. Para a transformação da consciência interna, valeu a pena o esforço e as experiências sofridas e dolorosas. É assim a teoria de transformar a consciência de Alaya para ganhar a sabedoria.

Agora vamos ver a sétima consciência, Manas. É o egocentrismo e está constantemente funcionando. A sexta consciência também possui a idéia de ego, mas quando estamos dormindo ou quando estamos em coma, ela não funciona.

Mas a sétima consciência, Manas, funciona constantemente, mesmo quando dormimos e mesmo em estado de coma. Ela funciona formando a idéia de identidade do ego, pensando que o eu existe para sempre e se apegando ao mundo material.

 É por esta razão que, se você quebrar a cerâmica contra a qual está encostado, pode sofrer muito. É como um gatinho que estava doente, que sofre e morre. Neste nível de consciência, com qualquer mudança se sofre.

P. — Entendo como é que se vai do passado ao futuro, mas será que não se vai do futuro ao presente? Mestre Dogen não fala Isso?

A aula de hoje será sobre a consciência de Manas e a inconsciência de Alaya. Com a noção de subconsciência, os budistas descobriram conjuntamente as consciências de Manas e de Alaya A sétima consciência de Manas é a consciência do egocentrismo. A oitava, Alaya é o depósito de nossas experiências passadas.

Em primeiro lugar, a consciência de Alaya é a origem de todas as existências. Há olho e a função do olho, e eles surgiram da consciência de Alaya. E não somente isso, mas esse corpo, esse ambiente, a natureza, a casa, a montanha, tudo vem da consciência do Alaya.

 Por isto é que se chama Alaya Vijnana, consciência de depósito. Com a palavra Alaya podemos nos lembrar de Himalaya. Hima significa neve, então Himalaya, é onde se deposita ou guarda a neve.

 A palavra Alaya quer dizer depósito. É onde todas as experiências e nascimentos estão depositados, como uma semente que amadurece com o tempo, que cria outra semente e a deposita quando encontra condições favoráveis, como solo, água, terra e adubos.

 Então, esta semente brota. As sementes boas dão frutos bons. Nesta teoria da Alaya Vijnana, a pessoa está vendo aquilo que ela criou como substância e objeto e está depositando o Karma: atos bons e ruins, como semente.

O treinamento do budismo é transformar todas as sementes ruins em sementes boas. Precisa trabalhar cem, mil, milhares de vezes, e se conseguimos transformar esta consciência de Alaya em sementes boas, então a sua existência, espiritual e física, se torna totalmente boa.

 Não somente o corpo e o espírito se tornam bons como Alaya cria todos os fenômenos do mundo e assim todo mundo se torna bom. Nós nos tornamos Buda e vemos aquele mundo que é de Buda. Os mundos inferiores, como o inferno, animais e demônios famintos, e os estados inferiores de consciência desaparecem. É muito importante realmente ver as coisas deste mundo, o corpo e a natureza, a partir da consciência de Alaya.

A Alaya cria todas as consciências (as sete consciências), cria os corpos e o meio ambiente. Tudo é criado pela Alaya. A característica desta consciência de Alaya é que, primeiramente, ela guarda todas as ações do Karma Passado e todas as experiências passadas estão ali guardados como uma semente.

 Esta semente, ao mesmo tempo que ela é o resultando do Karma é também a possibilidade de se criar uma ação nova.

Mas o Karma não é destino. Podemos mudar o destino com a nossa prática porque tudo está depositado e registrado dentro da Alaya e, desse modo, o que está depositado — o mundo da pessoa — começa a mudar e a personalidade também.

 É como o perfume: o conhecimento, a cultura e a experiência têm o perfume de cada personalidade, depende do que a pessoa está guardando em sua consciência. Essa consciência e a percepção do mundo externo iniciam uma nova experiência e essa nova experiência imediatamente se deposita na subconsciência da Alaya.

 Esta semente depositada se transforma em uma outra semente e esta cria uma outra experiência condicionada pelas vivências passadas.

Assim, a pessoa não pode ver o mundo além do seu limite. Por isso o treinamento consiste em aprender as coisas, os conhecimentos e as sabedorias para poder sair deste círculo.

Quando falo em Psicologia Budista, sempre conto a história da padaria porque ela ilustra muito bem o que quero dizer. Havia um monge budista ocupando um templo, mas ele precisava viajar a uma cidade longínqua.

 Então, ele pediu ao vizinho para que cuidasse do templo na sua ausência. Esse vizinho era dono da padaria da localidade, e, como é natural, sendo o dono da padaria não sabia nada sobre as doutrinas budistas. Mas aceitou tomar conta do templo com muita boa vontade.

Logo depois da partida do dono do templo, um monge viajante chegou à aldeia. Naquela época existia entre os monges a tradição do debate verbal em relação aos seus entendimentos sobre o budismo. Quem ganhasse o debate ficava com o templo e quem perdesse tinha de ir embora. Chamava-se a isto uma batalha do Dham’za. Hoje, este costume ainda existe. Com muito cerimonial mas ainda existe.

Bem, o sujeito ficou muito preocupado com a notícia da chegada do monge viajante, já que ele era apenas o dono da padaria. Mas o chefe da aldeia veio até ele e disse: “Você faz o seguinte: raspa a cabeça, coloca a roupa de monge e depois se senta contra a parede como fazem os monges. Você tem que se conscientizar de que está treinando o silêncio. Assim, não precisa falar. Se você não falar, nada será revelado.”

“Ah, está combinado”, disse o dono da padaria. Assim ele fez e ficou esperando. O monge viajante chegou, começou a perguntar, mas o monge da padaria estava sentado, em silêncio.

 “Ah”, pensou o viajante, “ele está fazendo o treinamento do silêncio. Não pode quebrar o treinamento e isto tem que ser respeitado. Mas já que estou aqui com tempo. vou tentar me comunicar com ele através de gestos”. E fez um gesto querendo dizer: “como é que está o seu coração?”

O da padaria respondeu com outro gesto:
“o meu coração é grande como o oceano..” “Ah”, entendeu o viajante, ele respondeu “grande como o oceano, como o universo inteiro”. Universo inteiro significa dez direções, os pontos cardeais, e mais o meio, e em cima e em baixo.

E fez outro gesto querendo dizer: “e para viver neste mundo, nas dez direções, como é que eu posso viver?”“São importantes”, respondeu, gesticulando, o monge da padaria, “os cinco preceitos: não matar, não roubar, etc.”

 O monge viajante fez outro gesto: “Então, o que são os Três Tesouros, Buda, Dharma, e Sangha.” O dono da padaria respondeu, com gestos: “Está muito perto de você, não pode procurar longe. Está aqui”. Com esta resposta o monge viajante se assustou: “Ah, está certo, ele é um grande monge”, pensou. E foi embora.

 Logo depois, o chefe da aldeia chegou e perguntou ao dono da padaria: “O que foi que aconteceu que aquele monge foi embora2”“O monge viajante era muito doido, não é”? perguntou o dono da padaria. “Em primeiro lugar perguntou, com gestos, pelo pão da minha padaria.

 Por que é que era tão pequeno. Eu respondi com gestos, querendo dizer: Não, é muito grande. Ele então me perguntou: Quando custa o pão? Gesticulei querendo dizer. Cinquenta centavos. Aí ele perguntou: Abaixa para trinta centavos? Eu respondi com gestos: De jeito nenhum. E ele foi embora”.

Esta história é muito engraçada, mas é exatamente isto o que está acontecendo no nosso mundo. Estamos vivendo dentro da nossa consciência. O monge viajante está vivendo dentro das teorias budistas, do treinamento etc., mas o dono da padaria não, ele está é preocupado com a qualidade do pão, quanto é que ele vai ganhar. É assim que cada um vive o seu mundo.

Seu mundo significa aquilo que cada um está depositando dentro da sua consciência. Cada um tem os seus Karmas, particulares e coletivos.

Dentro de uma só pessoa estão mais de trinta bilhões de anos passados e as experiências estão depositadas como sementes. Estas se- mentes dependem de condições, e quando existem estas condições, elas brotam e a árvore aparece.

Por exemplo, o marido arrumou uma amante. Na sua esposa, uma senhora bonita, jovem, rica, inteligente e educada, surge um enorme ciúme e ódio. No primeiro momento, ela pensa: “Que vergonha, dentro de mim havia esta consciência suja.” Mas logo depois aquele ódio já tomou conta dela totalmente, ela já está dentro do estado de diabo. Aí, a sua fisionomia muda imediatamente.

O que estou querendo dizer é que a pessoa não sabe o que é que está guardando dentro da subconsciência. Aparentemente, é uma pessoa rica e bonita, inteligente e culta, mas em condições adversas aquela semente de ódio pode brotar. Aí o mundo muda.

A consciência de Alaya tem três características: a primeira é depositar as experiências do passado.

 A segunda: com esse depósito o mundo da pessoa muda e a pessoa muda.

Terceira e mais importante: com isso nós nos enganamos pensando que a consciência de Alaya é um objeto do ego. Pensamos que é a substância do ego através da sétima consciência, porque a Manas Vijnana é a idéia do egocentrismo.

A oitava consciência é a consciência de depósito, enquanto que a sétima se chama consciência contaminada. Vivemos aqui e aquilo que já está depositado em nossa consciência nesse momento não pode ser alterado; não tem mais jeito.

 Mas o que eu registrar ou depositar na subconsciência nesse momento presente é de minha responsabilidade. A limitação da percepção do mundo depende da personalidade, cultura, educação, conhecimento, tradição ou ponto de vista de valores e preconceitos. A nossa percepção está limitada ao que recebemos, ou com que fomos criados.

Dependendo do que eu depositar, o mundo externo começa a mudar. Com o que depositamos, às vezes vemos o que não existe. Isto acontece quando, por exemplo, estamos lendo o jornal. Há um tipo de prova para saber se você já está velho ou não. Se, ao abrir o jornal, em primeiro lugar você quer ver quem morreu, uma nota de falecimento ou uma coisa preta com uma cruz, dizendo:

 “Morreu com 78 anos “Eu tenho 77”, pensa o idoso que lê o jornal. Não somente os velhos morrem, mas os jovens não ligam para isso, a não ser que se trate de uma pessoa íntima, um parente ou amigo que tenha morrido. Dependendo do nosso interesse, do nosso foco ou experiência, começamos, portanto, a ver as coisas.

A pessoa vê as coisas mas não as vê. As coisas não existem mas às vezes as vemos. É algo que está acontecendo constantemente. Por esta razão, quando os casais namoram e se casam pode dar confusão. Por quê? Muito simples. O que eles viveram separadamente, o ambiente, a educação, os costumes de família, tudo é diferente.

 Para a esposa, a salada tem que ser aquela salada do papai e da mamãe, mas para o marido a salada tem que ser um tabule, aquela feita pelo tio árabe ou russo.

 “Vamos preparar uma salada hoje à noite”, combinam eles. “Claro, eu vou preparar”, diz a esposa. O marido se entusiasma mas quando vê a salada que sua esposa fez, bem, a idéia dele era totalmente outra.

Aí ele diz: “Ah, eu não quero isso”. “Mas eu fiz com todo o carinho,” diz a esposa. “Isto não é salada, é porcaria”. E aí começa a briga.
Assim, vemos que a palavra “salada” tem no seu bojo uma armadilha. Cada um pensa na salada à sua maneira. Este é um limite das palavras humanas. Pelo menos podemos saber que cada um tem o seu limite de acordo com suas experiências.

Não é somente o meu ponto-de-vista que está certo. Nem sou eu quem está com a verdade; e nem sempre o outro é quem está errado. Se a pessoa trocar de posição e pensar como outro está pensando, vai entender as coisas imediatamente. O marido tem toda a razão.

 E ela, a esposa, também tem, é claro. São diferentes, mas dá para chegar a um acordo, sem brigar. Este é um dos pontos que o Yuishiki nos ensina.

Cada um está armazenando sua experiência e Karma, ou seja, cada um está vivendo no mundo que ele próprio criou com este Karma que está acumulando. Então, você pode achar que não tem jeito de mudar — mas tem.

 Neste momento, aquilo que você está observando, aquilo que você está estudando, o que está pensando, é o que vai ser guardado, e com isso o mundo todo começa a mudar. Se realmente transformamos toda a nossa consciência em uma coisa pura, o mundo inteiro muda totalmente.

A oitava consciência tem três nomes: Alaya, Vpaka, Adana, mas depende do estado em que a pessoa estiver operando dentro dela.

Alaya é o primeiro nome da oitava consciência. Indica aquele estado em que se está ainda apegado ou impressionado, com a sétima consciência, a da identidade do ego, a Manas Vijnana ou o egocentrismo.

 Por isso, até chegar ao estado do Bodhisattva, a idéia de ego prossegue como lembrança porque não entrou profundamente ainda na oitava consciência, ainda há lembranças dele na sétima consciência.

Em segundo lugar, a Vipaka. Este estado significa que as coisas, ruins ou boas, são depositadas dentro da oitava consciência. Mas enquanto estão guardadas dentro da oitava consciência de Alaya elas são neutras. Esta semente não é boa nem ela é neutra. Havendo condições ela brota e ai pode dar a visão boa ou má.

 A boa semente guardada é neutra, mas quando brota faz coisas boas. Isto quer dizer duas coisas. Mesmo que a pessoa esteja fazendo coisas boas, não precisa ficar vaidosa, porque na verdade sua ação é neutra. Mesmo fazendo coisas ruins, também a ação é neutra, o que significa ainda há possibilidade de melhorar. Há a possibilidade c salvação.

E assim, a semente má e a semente boa podem se transformar em uma outra coisa. O processo de treinamento budista é isso, é como um glóbulo branco combatendo as doenças e matando os micróbios.

Devemos trabalhar para a limpeza total, para a iluminação completa do ego, pois aí o mundo inteiro fica totalmente puro e perfeito e o exterior também fica totalmente puro e limpo.

 Esta consciência se chama Adana, e já é o estado de Buda. Chegou-se ao estado de Buda e Adana é o terceiro nome da oitava consciência.

Muita gente fica preocupada em ganhar a Iluminação e isto soa como uma brincadeira, não é? O treinamento não é isto. Não é tão fácil assim. Temos de trabalhar bem dentro de nós.

A pessoa vive neste mundo sem saber o que faz. Jesus Cristo disse: “Pai, perdoai-os porque eles não sabem o que fazem.” Sempre existe a preocupação com alguém que está fazendo coisas ruins. Alguns reclamam, mas a pessoa quando não sabe o que está fazendo não sabe se está fazendo o mal ou não. Ela não deve ser culpada. Tudo bem, ela pode não ser culpada, mas o Karma está criado e a responsabilidade é inteiramente da pessoa.
A ignorância é isso: é não saber as coisas.

Este texto é resultado de uma pesquisa :
1.     Lama Anagarika Govinda.
2.     Ryotan Tokuda.

http://dharmadhannyael.blogspot.com.br

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